Secretaria de Agricultura e Abastecimento celebrou o Dia Nacional da Abelha

Por meio de sua Coordenadoria de Desenvolvimento Rural Sustentável (CDRS), comemorou a data chamando a sociedade para reflexão da importância destes seres vivos, que são fundamentais para a conservação da vida, da biodiversidade e da produção de alimentos.

         No momento em que o desenvolvimento rural sustentável é o foco total do governo do Estado de São Paulo, incentivando a produção agropecuária com responsabilidade ambiental, a Secretaria de Agricultura e Abastecimento, por meio da CDRS, reuniu mais de 150 pessoas no dia 3 de outubro em Campinas, para celebrar o Dia Nacional da Abelha.

        Apontando os caminhos práticos que a Secretaria de Agricultura e Abastecimento tem percorrido para fortalecer a apicultura e a meliponicultura em São Paulo - por meio da extensão rural, da defesa agropecuária e da pesquisa -, contribuindo com a preservação das abelhas, ao mesmo tempo que incentiva as duas atividades como alternativas de renda e emprego, a coordenadora da CDRS, Juliana Cardoso, destacou a relevância do evento, anunciando uma ação do governo do Estado, que mudará o panorama dessas cadeias produtivas. “O Dia Nacional da Abelha é uma oportunidade para a conscientização sobre o trabalho essencial desses seres para a vida humana - a polinização, bem como sobre a sua importância para as cadeias produtivas às quais estão atreladas, principalmente pela produção de um de seus maiores subprodutos, que é o mel. Diante desse cenário e da ameaça que as abelhas sofrem, neste dia 3 de outubro, a Secretaria publicou a Resolução 41/2019, que institui o Programa de Sanidade Apícola do Estado de São Paulo”.

      De acordo com a coordenadora, o Programa estabelece as regras de sanidade para o Estado, que já atua em conformidade com o Plano Nacional, incentivando os apicultores e meliponicultoresa se cadastrem na Coordenadoria de Defesa Agropecuária, para que tenham sua localização e atividade registradas, e assim, as políticas públicas possam ser melhor direcionadas ao segmento. Além disso, abre um canal para que os apicultores e meliponicultores informem sobre as ocorrências, principalmente de mortandade, propiciando ao Estado tomar providências, investigando as causas e implementando ações eficazes”.

       Na solenidade de abertura, a emoção deu tom do que seria o dia. Em uma mensagem com “veia extensionista”, o engenheiro agrônomo Osmar Mosca Diz - da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, que atua na Divisão de Extensão Rural (Dextru), da CDRS -, um dos organizadores do evento, destacou a importância das abelhas e conclamou a todos a se engajarem em sua proteção. “O Dia da Abelha” foi instituído pelo Ministério do Meio Ambiente para ser comemorado com atividades educativas, de divulgação e de sensibilização a respeito do valor e da importância desses seres para a sobrevivência e o equilíbrio dos ecossistemas, por meio do serviço de polinização. Mas as abelhas correm perigo e as causas são inúmeras e, infelizmente, provocadas pelo ser humano, incluindo a poluição e o uso inadequado de defensivos agrícolas. Por isso, esse evento foi pensado para gerar reflexão e despertar o interesse sobre as abelhas e sua relevância para a sociedade em geral”.

      Osmar declarou ainda que é preciso destinar investimentos em parcerias e pesquisas em favor da vida e da conservação da capacidade produtiva dos agroecossistemas, passando primeira e necessariamente pela proteção e defesa das abelhas, sobretudo das nativas do Brasil, que são um valioso patrimônio da biodiversidade. “Mas como instituição pública, estamos no caminho certo, com o Projeto Fazendinha Feliz dedicado à educação ambiental das crianças, dos educadores e do público em geral, mostrando como podemos viver com harmonia entre os seres”.

      Homenageado do ano, o professor doutor Lionel Segui Gonçalves, um dos mais conceituados pesquisadores e defensores das abelhas - membro de importantes comissões, como a Comissão Internacional de Biologia da Apimôndia, que é a Federação Internacional de Associações de Apicultores; autor de mais de 150 publicações científicas sobre abelhas africanizadas e apicultura -, destacou a relevância da Resolução 41. “Estou sensibilizado com todo o trabalho da Secretaria de Agricultura e Abastecimento em prol da apicultura e da meliponicultura, mas particularmente feliz de ver, publicada nessa data tão importante, esse Programa de Sanidade Apícola, que trará um resultado altamente positivo, de apoio à proteção às abelhas. Com isso, o Estado de São Paulo está se lançando como líder nacional neste tema”.

       Durante sua palestra, o prof. Lionel fez um alerta sobre o panorama atual das abelhas no mundo, mas indicou o caminho para mudar o cenário.“As abelhas são consideradas hoje, por entidades internacionais, os animais mais importante da Terra, por conta de sua capacidade de fazer a polinização, ação responsável para que a humanidade tenha além de alimentação disponível, ar para respirar, haja vista que 75% das florestas e das matas dependem de polinização. Nossa mensagem é que o cenário da preservação das abelhas nos dá muito temor, pois vemos um aumento assustador na mortandade de abelhas em todo o mundo, causadas principalmente pelo uso inadequado de pesticidas. E o que precisamos neste momento é sensibilizar, por meio da educação ambiental, toda a sociedade, principalmente as crianças, que são a nossa esperança,” disse o professor, que tem contribuído muito com a educação das novas gerações, por meio da ONG Bee ornottobee?, que realiza uma campanha nacional de proteção às abelhas, a qual ganhou contornos internacionais, e com a elaboração de material didático balizado cientificamente.

      Para o vereador e presidente da Comissão do Meio Ambiente da Câmara Municipal de Campinas, Luis Rossini, o evento foi essencial para aquecer um debate necessário entre toda a sociedade. “Cumprimento a CDRS por reunir, no Dia da Abelha, técnicos, especialistas, pesquisadores, apicultores e meliponicultores para falar da importância e proteção das abelhas, que cumprem um papel ecológico fundamental para garantia da vida e produção de alimentos, e que hoje sofrem várias ameaças. Esse é um tema que debatemos na Câmara, onde temos dois projetos de lei tramitando: um para proteção das abelhas sem ferrão e outro que para proibir a capina química. Foi muito importante estar aqui, para obter mais conhecimento e levá-lo para um debate saudável com a sociedade em geral”.

       No final do dia, o engenheiro agrônomo Osmar, fez um balanço positivo da atividade. “Com esse evento, reafirmamos nosso compromisso como poder público, com as atividades da apicultura e da meliponicultura. Nosso objetivo foi levar às pessoas a beleza, o encanto da nossa rica biodiversidade, mas também sensibilizar e conscientizar não só as pessoas envolvidas diretamente com as cadeias produtivas, mas a sociedade de modo geral, sobre o perigoque as abelhas correm e seu trabalho de polinização, que é essencial para a manutenção e desenvolvimento da biodiversidade, da agricultura e da produção de alimentos. E durante as conversas ao longo do dia pudemos observar que conseguimos plantar uma semente”.

       

     Programação

    Com uma programação interativa, prática e lúdica, os visitantes foram sensibilizados quanto à importância de se investir na proteção das abelhase puderam debater e aprofundar o conhecimento em rodas de conversa com especialistas, apicultores, meliponicultores e estudiosos dos temas ligados à apicultura (criação de abelhas com ferrão) e à meliponicultura(criação de abelhas nativas sem ferrão).

     Também participaram de oficinas com temas diversos: culinária; confecção artesanal de sabonetes; confecção de ninhos de abelhas nativas solitárias e de ninhos-iscas para captura de abelhas nativas; e transferência de enxame para uma caixa racional; entre outras atividades realizadas no parque da CDRS, que abriga diversas espécies florísticas e árvores frutíferas de interesse de abelhas nativas sem ferrão, as quais foram temperadas com o entusiasmo das participantes, que aproveitaram a oportunidade para trocar experiências e aprendizados.

     Elisabete da Silva, dona de casa de Jundiaí, participou da oficina de culinária e levou para casa novas receitas e novos amigos. “Eu vim para o evento para auxiliar meu filho que faz e comercializa caixas de abelhas, mas soube das oficinas e me interessei. E a experiência foi maravilhosa e motivadora; conheci pessoas e aprendi novas receitas. Vou levar o aprendizado daqui para minha família e amigos, e a mensagem de como é preciso proteger as abelhas”.

     O ator e meliponicultor, Marcelo Cunha, saiu de São Paulo em busca de mais conhecimento, o que, segundo ele, encontrou no evento. “Há alguns anos eu me interessei pelas abelhas sem ferrão e comecei a estudá-las, mas são centenas de espécies, então há sempre muito a aprender. Eu vim para o evento para trocar experiências e saberes, bem como conhecer mais do trabalho do engenheiro agrônomo Osmar Mosca, principalmente na Fazendinha Feliz, um projeto de educação ambiental maravilhoso. E tive uma grata surpresa, pois um dia antes do evento encontrei uma abelha solitária na minha casa e estava pensando no ninho; e aqui pude participar de uma oficina incrível liderada pela Adriana Tiba, que nos ensinou a fazer ninhos artificiais para estas abelhas”.

Homenagens póstumas

Homenageados com placas ao lado de caixas de abelhas sem ferrão instaladas no parque da CDRS, os pesquisadores Paulo Nogueira Neto e Warwick EstevamKerr tiveram seus legados reconhecidos, após décadas de dedicação aos estudos e transmissão de conhecimento que resultaram no aprimoramento de ações e projetos em defesa das abelhas.

“Reconhecer o trabalho desses pesquisadores, os quais podemos chamar de desbravadores do conhecimento sobre as abelhas, e também do professor Lionel, que nos trouxe dados sobre a realidade das abelhas não só no Brasil, como no mundo, e nos chamou à conscientização da importância de unirmos esforços para mudar o cenário de mortandade desses seres vivos essenciais para a vida, é uma forma de estimular outros pesquisadores e professores a trilhar este caminho de conhecimento sobre a importância das abelhas para a humanidade”, declarou o vereador Luis Rossini, que proporá à Câmara Municipal de Campinas, uma homenagem aos pesquisadores na cidade.

Sobre o trabalho da extensão rural

Como órgão de extensão rural da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, a CDRS conta com um Grupo Gestor em apicultura e meliponicultura, composto por extensionistas de diversas regiões do Estado, o qual desenvolve projetos regionais visando ao fortalecimento dessas atividades, com a realização de cursos, capacitações, oficinas e palestras para um público amplo que engloba produtores rurais, membros de comunidades tradicionais, representantes de todos os elos da cadeia produtiva, das áreas de educação e saúde, poder público municipal, bem como da sociedade em geral.

Sobre a apicultura e a meliponicultura no Brasil e no Estado de São Paulo

Diante da grande demanda mundial da agricultura pela polinização e dos mercados consumidores internos e externos pelos produtos da colmeia (mel e afins) – estudo da Associação Brasileira dos Exportadores de Mel (Abemel) apontam que nos próximos cinco anos haverá uma demanda por mais de 100 mil toneladas de mel –, São Paulo possui um grande potencial tanto em nível de mercado da cadeia produtiva da apicultura e meliponicultura como em serviço de polinização, pois tem excelente potencial apícola (flora e clima).

No ranking da apicultura, o Brasil ocupa a 9.ª posição mundial.  No ano de 2018, as exportações brasileiras de mel tiveram um Valor FOB US$ 95.420.025, e o Estado de São Paulo foi o responsável pelo Valor FOB de US$ 23.375.621.

Segundo dados da Confederação Brasileira de Apicultura (CBA), o setor possui 184 entrepostos com Serviço de Inspeção Federal (SIF), centenas de entrepostos com Serviço inspeção estadual e municipal, uma estimativa de 450 mil ocupações diretas no campo, 16 mil empregos, sendo 19 mil na indústria de processamento (entrepostos) e 17 mil na indústria de insumos (máquinas e equipamentos), e um mercado de varejo avaliado em R$ 796 milhões.

O Estado de São Paulo é responsável por cerca de 50% da produção de mel, entrepostos e insumos na região Sudeste, com cerca de 4 mil toneladas. Sendo assim, a cadeia produtiva da apicultura é uma importante atividade econômica que gera emprego e renda para apicultores, agricultores e agroindústrias, contribuindo para o desenvolvimento social e econômico.

 

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