Fórum Consultivo Microbacias II: lideranças rurais apresentam conquistas que estão melhorando renda e emprego no campo

Em um auditório lotado, com mais de 400 pessoas, produtores rurais que nos últimos anos estão se tornando gestores de negócios agropecuários apresentaram resultados do Projeto Microbacias II – Acesso ao Mercado, que, desde 2011, tem agregado valor à produção familiar, gerando renda e emprego. “Participar do Projeto nos trouxe mais do que benefícios para a produção e agregação de valor. Trouxe mais renda, qualidade de vida esperança, bem como novas perspectivas para os jovens continuarem no campo e resgate de tradições e culturas. Tivemos dificuldades com a complexidade das ações e os processos burocráticos; erramos e acertamos. Mas aprendemos, e muito, e o apoio dos técnicos da CATI foi fundamental para isso. Hoje, colhemos frutos de ações que estão criando raízes vigorosas”. Assim podem ser resumidos os depoimentos de líderes de associações, cooperativas e comunidades tradicionais apresentados durante o III Fórum Consultivo do Projeto de Desenvolvimento Rural Sustentável, o Microbacias II - Acesso ao Mercado, realizado no dia 14 de setembro, na Estância Turística de Barra Bonita.

Entre os presentes, produtores, lideranças rurais, técnicos das Secretarias de Agricultura e Abastecimento e do Meio Ambiente, extensionistas da Fundação Itesp, representantes de entidades públicas e privadas ligadas ao agronegócio, bem como autoridades das esferas municipal e estadual.

Durante a solenidade de abertura, o secretário de Agricultura e Abastecimento, Arnaldo Jardim, falou sobre a importância do Microbacias II e os desafios da reta final de execução. “É incrível ver, ano a ano, o Projeto crescendo e amadurecendo, ouvir os testemunhos que se multiplicam sobre como ele está mudando a vida do produtor, agregando valor, fazendo com que as pessoas voltem a ter gosto de produzir, fazer com que outras e novas gerações possam se dedicar mais à atividade agropecuária. Não tem testemunho que eu goste mais, do que ouvir dos produtores que estão conseguindo fazer com que os filhos tenham interesse pela atividade e de que os jovens estão ficando no campo. Estou muito contente com os resultados do Microbacias II, pois demonstram que a vontade do governador, de agregar valor à produção, está acontecendo; são mais de 300 entidades participando do Projeto. Este Fórum é uma reunião de trabalho, onde se troca experiências, se fala de tecnologias aplicadas para encurtar distâncias e aumentar produtividade, mas também é um espaço para debater o andamento das ações, pois estamos nos preparando para a reta final, haja vista que, em um ano, teremos o encerramento do Projeto e ainda há uma boa parte a ser feita, como a compra de equipamentos e as construções e/ou adequações de infraestrutura. De nossa parte, já avançamos em simplificação, diminuindo o nível de burocracia exigida, mas ainda temos muito serviço a fazer. Hoje, recebemos novos alertas e solicitações, que serão analisados no grupo de trabalho para orientar o nosso trabalho”.

O coordenador da CATI, José Carlos Rossetti, fez uma avaliação do Projeto e falou sobre a importância do Fórum. “Como em todo projeto novo, trilhamos um rota e encontramos entraves e problemas, os quais para nós têm se transformado em aprendizado, pois nos têm feito entender as dificuldades de agricultores acostumados apenas a produzir, que estão se transformando em empresários e, assim, poder apoiá-los de forma efetiva, caminhando e aprendendo juntos. Quanto ao fórum, é sempre bom avaliar o que está sendo feito e discutir em conjunto é a melhor forma, pois a dificuldade de um é também a de outro. No Estado de São Paulo temos várias realidades e uma grande diversidade econômica, por isso esse evento foi um momento de reflexão, de compartilhar as dificuldades e buscar soluções conjuntas, pois um produtor de uma região acha que tem um problema indissolúvel e, ao ouvir o depoimento de outro, verifica que alguém já passou pela mesma situação e achou a solução”.

Isso foi o que ocorreu com Aline Juvêncio, diretora financeira da Cooperativa dos Produtores Rurais e da Agricultura Familiar de Juquiá e Região, que representou os cooperados no Fórum. “Quando se fala em Fórum, a gente pensa que vai chegar, ver algumas imagens, sorrir e assinar uma lista. O que estou levando daqui hoje é uma bagagem incrível. Quando estamos no nosso meio, vemos os problemas e achamos que eles são os maiores; quando dividimos nossos problemas, multiplicamos nossas conquistas, por isso a gente sai leve de eventos como esse. Hoje vi um vídeo sobre estradas rurais de Botucatu que, particularmente, me tocou muito, pois me fez ver a grande dificuldade que eles tinham por conta dos problemas com as estradas. Eu pedi uma cópia do vídeo para levar para a nossa Prefeitura, para mostrar que devemos deixar de negatividade, pois desafios surgem no nosso caminho todos os dias e nos fazem buscar soluções para recuperar as nossas estradas, pois eu também achava que tínhamos enormes problemas nessa área e, hoje, vi pessoas que tinham dificuldades muito maiores que as nossas e conseguiram superar”, ressalta emocionada, fazendo uma avaliação do Projeto. “O Microbacias II veio para realizar sonhos. Para concretizar o nosso sonho, tivemos o total apoio dos técnicos da CATI, que vão além do seu trabalho, pois nos ajudaram a construir os sonhos a várias mãos, em dias e noites de trabalho. Saio daqui, hoje, muito feliz,” falou, resumindo o sentimento de muitos participantes.


Programação

Na abertura do evento foi apresentado um vídeo sobre o Microbacias II, elaborado pelo Centro de Comunicação Rural da CATI, que explica o seu desenvolvimento desde a Manifestação de Interesse até os resultados positivos que têm sido observados em diversas regiões do Estado. Depois, os gerentes técnicos do Projeto, da CATI e da Coordenadoria de Biodiversidade e Recursos Naturais da Secretaria do Meio Ambiente, fizeram um balanço do Projeto apresentando dados e números.

Em seguida, João Brunelli Júnior, gerente técnico do Projeto Microbacias II, no âmbito da CATI, fez um balanço das ações e mostrou o que ainda precisa ser executado, conclamando a todos para se empenharem na conclusão dos projetos, haja vista que falta um ano para o encerramento. “O Projeto está na reta final, se encerra em setembro de 2017. Fechamos a 6.ª Chamada, estamos com mais de 300 Iniciativas de Negócio em execução, que estão em plena implantação de seus negócios, das quais 94 já finalizadas. As entidades estão batalhando com suas dificuldades operacionais, de licenciamento, de caixa para fazer a contrapartida, mas todas estão entusiasmadas e participando ativamente do Projeto. Neste III Fórum, estrategicamente, trouxemos as organizações com Propostas aprovadas na 5.ª Chamada, com execução abaixo de 50%, e as 136 participantes da 6.ª Chamada. Por isso, deste público aqui representado, é que esperamos uma grande resposta na execução final do projeto, pois ele responde por 70% do que ainda precisa ser executado”, informou Brunelli, deixando uma mensagem para os produtores: “É muito importante que os produtores entendam que o passo que eles estão dando é em direção a algo sustentável, pois estão montando negócios, mudando o perfil de suas entidades, se tornando mais ativos no mercado, sabendo que as oscilações desse mercado são consequência da situação econômica atual. Por isso, eles devem continuar investindo e acreditar que a situação econômica vai ter o seu ciclo, haverá a retomada do crescimento e eles irão participar desse processo”.

A programação contou com a apresentação de associações, cooperativas e comunidades tradicionais beneficiadas pelo Projeto executado pela CATI, cujos representantes falaram sobre suas conquistas e o impacto para as famílias envolvidas. “O Microbacias II para nós foi de grande importância; ele veio somar na qualidade dos produtos e no aumento da produção. Com ele tivemos mais condições de processar e transportar os nossos produtos. Participar do Fórum foi um ganho de conhecimento, pois estiveram muitos produtores reunidos, falando de suas histórias e contando suas experiências; isso acrescenta muito para nós, pois cada um pega um pedaço da história do outro, vê o que deu certo no que o outro fez; então todos crescemos juntos”, relatou Solange Pinheiro, presidente da Associação dos Produtores e Olericultores da Marechal Rondon de Lins, que foi contemplada com três Propostas de Negócio aprovadas.

Como Solange, outros líderes de entidades demonstraram a satisfação com as ações já implementadas com apoio do Microbacias II e o desejo de ampliá-las. Um desses produtores é Leonildo Moreira, presidente da Associação dos Produtores Rurais de Agissê, localizada no município de Rancharia, o qual pertence à esfera de atuação da CATI Regional Presidente Prudente. “O Projeto Microbacias II proporciona o apoio que a agricultura familiar precisa. Participamos ativamente do Programa Microbacias I que, entre outras coisas, fomentou e incentivou a organização rural entre os agricultores familiares paulistas e promoveu o desenvolvimento da atividade agropecuária de forma integrada com o meio ambiente, fortalecendo a estrutura de produção nas propriedades, mas teve um papel ainda mais relevante, que foi o de aproximar os produtores e técnicos, que nos apoiaram para levar adiante as nossas necessidades e reivindicações. Agora estamos participando do Microbacias II, no qual tivemos uma Proposta aprovada na 6.ª Chamada para a aquisição de um caminhão para transportar nosso principal produto, que é o leite. Esse Projeto é um começo para nos libertar dos intermediários, que foram importantes para comercialização do nosso produto, mas é hora de a gente desmamar eles, né?”, fala aos risos, complementando: “essa nova fase do Projeto está ajudando a conter a evasão rural, principalmente dos jovens, com a geração de emprego e renda. O que ouvimos aqui, hoje, nos depoimentos apresentados, é uma prova de que está funcionando; assim, os filhos podem e devem estudar, mas agora, com essas novas perspectivas, eles podem se tornar empresários rurais, esse é o nosso sonho. E que esse Projeto não pare, só aumentem as ações!”.

Plenária sobre o Projeto Microbacias II

Para debater o Projeto e avaliar o impacto de suas ações, bem como discutir as dificuldades e os desafios do último ano de sua execução, entre outros temas, ao final das apresentações foi realizada uma plenária, com grande participação do público.

Mediador desse debate, Abelardo Gonçalves Pinto, responsável pelas Salvaguardas Sociais do Projeto Microbacias II, fez uma avaliação da terceira edição do Fórum. “O Fórum Consultivo é um instrumento de gestão e implementação do Projeto Microbacias II. De um lado, busca assegurar a participação da sociedade civil no acompanhamento das ações e, de outro, permite a obtenção de contribuições e sugestões para o aprimoramento do Projeto. O intercâmbio de experiências é uma eficaz estratégia de aprendizado para as associações e cooperativas, que podem, a partir daí, aprimorar seus processos de produção, comercialização e gestão. Compartilhar dificuldades e aprendizados é uma excelente forma de melhorar a eficiência em todos os sentidos. Essa terceira edição trouxe iniciativas novas, com poucos meses de implantação e outras já em andamento há bem mais tempo. Foram apontadas dificuldades em várias áreas: legislação sanitária, burocracia dos órgãos governamentais, obtenção de recursos para a contrapartida e falta de experiência administrativa, entre outras. Como principais aprendizados destacaram-se os novos conhecimentos adquiridos nos processos produtivos e administrativos, a importância do trabalho em equipe, a importância da priorização de ações, a necessidade de estreitar a relação junto aos associados, o melhor conhecimento dos processos industriais e o melhor conhecimento do mercado e das necessidades dos consumidores”.

Para responder essas questões, além dos responsáveis técnicos pelo Projeto Microbacias II, participaram da mesa debatedora o secretário-executivo do Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista (Feap) e o diretor do Instituto de Cooperativismo e Associativismo, da Coordenadoria de Desenvolvimento dos Agronegócios (Codeagro), ambos inseridos na Secretaria de Agricultura e Abastecimento. “A participação deles enriqueceu o debate e promoveu o esclarecimento de muitas dúvidas comuns aos líderes de associações e cooperativas integradas ao Projeto e que têm pendências para concluir seus projetos, como as mais recorrentes que são as ligadas ao acesso a recursos para a contrapartida, que podem ser financiados pelo Feap e as dúvidas ligadas à comercialização por parte tanto de associações como de cooperativas”, avaliou Abelardo.

João Brunelli, gerente técnico do Projeto, no âmbito da CATI, ressaltou que, além dos questionamentos técnicos manifestados na plenária, também chamaram a atenção as manifestações de confiança e apoio à CATI, ao trabalho dos técnicos das Casas da Agricultura e à continuação do Projeto Microbacias. “Foram muitos os depoimentos e as solicitações de continuidade das ações do Projeto, com a necessidade de se fortalecer, cada vez mais, a estrutura da extensão rural em São Paulo, para que a assistência técnica aos agricultores familiares seja mantida, dada a sua contribuição ao desenvolvimento rural sustentável, com foco nas áreas social, econômica e ambiental em ações e projetos que traduzem a missão da CATI”.

Encerrando o dia de atividades, os presentes participaram de um café, no qual puderam conversar sobre os projetos apresentados, as dificuldades e o aprendizado de cada organização. “Saímos daqui com a esperança renovada, para acertar algumas arestas em nosso Projeto e felizes por ver que os resultados têm sido positivos para as famílias rurais, envolvidas direta e indiretamente”. Essa foi a conclusão relatada por vários participantes do Fórum, corroborada e complementada por Abelardo: “O Fórum alcançou seu objetivo de promover reflexão e reavaliação para corrigir rotas e unir esforços para alcançar as metas de conclusão dos projetos em execução. Por outro lado, se consolidou como um espaço de comemoração, pois também foi um momento de festejar o que já foi realizado e ver nos rostos e sentir nas palavras de todos que se apresentaram, a felicidade pelo que já foi conquistado e o otimismo pelo que ainda podem fazer, crescer, amadurecer, com qualidade de vida no local e na atividade que amam”.

Assista ao vídeo sobre o evento:

 

Conheça os respectivos projetos das associações e cooperativas apresentadas no Fórum:

Associação de Produtores Rurais de Urupês – Urupês – CATI Regional Catanduva. Para assistir ao vídeo, clique aqui

Associação dos Produtores e Olericultores da Marechal Rondon de Lins (Apol) – CATI Regional Lins. Para assistir ao vídeo, clique aqui

Associação dos Produtores de Leite do Município de Adamantina e Região (Aplemar) – CATI Regional Dracena. Para assistir ao vídeo, clique aqui

Cooperativa Agrícola dos Produtores de Vinho (AVA) – Jundiaí – CATI Regional Campinas. Para assistir ao vídeo, clique aqui

Cooperativa dos Produtores Rurais e da Agricultura Familiar do Município de Juquiá – CATI Regional Registro. Para assistir ao vídeo, clique aqui

Associação dos Produtores Rurais do Vale do Mogi (Assomogi) – Leme – CATI Regional Limeira. Para assistir ao vídeo, clique aqui

Associação dos Produtores Rurais do Município de Jeriquara – CATI Regional Franca. Para assistir ao vídeo, clique aqui

Associação dos Remanescentes de Quilombo do Bairro São Pedro – Eldorado – CATI Regional Registro. Para assistir ao vídeo, clique aqui

Associação Quilombo de Ivaporunduva – Eldorado – CATI Regional Registro. Para assistir ao vídeo, clique aqui

 

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